Entrevista: Lucas Silveira (Fresno)



Velha conhecida do Hangar 110, a banda gaúcha Fresno volta a tocar na casa no próximo dia 13/06 (sexta-feira). Eles acabaram de ter seu quarto álbum, “Redenção”, lançado via Arsenal/Warner, onde rompem com o independente – pelo menos no quesito distribuição. Outra ruptura, dita abaixo pelo próprio Lucas Silveira, é com o hardcore. Conversamos com o vocalista/guitarrista da Fresno que além disso nos falou sobre o álbum e a expectativa de voltar ao Hangar. Confiram!
por Ricardo Tibiu (www.chiveta.wordpress.com)

Como é voltar a tocar no Hangar 110?
É como tocar no Opinião, em Porto Alegre. A gente se sente em casa, conhece todo mundo, e está familiarizado com cada centímetro daquele lugar. Muitos shows memoráveis, não apenas nossos, passaram por aquele palco e sentimos uma vibração muito fantástica toda vez que tocamos lá.

Qual a expectativa em relação ao show?
Estamos estreando em São Paulo o nosso novo set list, baseado no nosso disco mais recente, “Redenção”. Algumas músicas receberam nova roupagem e a gente está cada vez mais arriscando algumas coisas ao vivo que antes a gente só via em DVDs gringos. Enfim, é muita expectativa, e uma certeza de que vai ser demais, pois Fresno no Hangar é sempre demais.

A Fresno já tocou várias vezes no Hangar 110, como espectador, quais foram os shows memoráveis que vocês viram na casa?
Já assisti magníficas apresentações de ícones do rock alternativo brasileiro como Garage Fuzz, Street Bulldogs, Sugar Kane e Dead Fish. Já me esmurrei com uma porção de gente em selvagens rodas de bate-cabeça. Além disso, já vi muitas bandas fazendo história ali, quando ainda não eram muito conhecidas, como NX Zero, Forfun, Glória e Granada.

Como tem sido a receptividade com relação ao “Redenção”?
A gente assumiu um risco ao assinar com uma grande gravadora. Existe uma parcela xiita dos fãs que vê com maus olhos esse tipo de atitude, mas não são eles que pagam nossas contas. O disco saiu diferente por uma infinidade de motivos, desde o novo baixista, até a moradia conjunta em São Paulo, namoros terminados etc. É um disco escrito em circunstâncias diferentes, mas de uma sinceridade inédita até então. A esmagadora maioria dos fãs recebeu o disco com muita alegria, e o feedback tem sido o melhor possível. Mas o melhor de tudo são os novos fãs que estamos conquistando a cada dia com esse disco.

Musicalmente, o que influenciou vocês para compor o CD e qual seria a melhor definição para ele?
A Fresno sempre bebeu na fonte do indie rock alternativo, post-rock, powerpop, bem como de algumas bandas de hardcore melódico. No entanto, com o passar dos anos, ficamos cada vez mais rock e menos hardcore. O “Redenção” serviu para marcar esse rompimento, que é mais estético do que ideológico. A gente não se identificava mais com músicas rápidas demais. Queríamos fazer músicas em que a letra falasse mais alto, e dialogasse com as pessoas.

O nome do CD é “Redenção”, o mesmo do famoso parque de Porto Alegre, e o disco foi composto em São Paulo. Se ele fosse composto em Porto Alegre, ele correria o risco de ter um nome relacionado a algum lugar de São Paulo?
Acho que não teria esse risco, pois a gente gosta muito de explicitar nossas raízes porto-alegrenses em tudo que a gente faz. Não só da cidade, como do nosso estado, o Rio Grande do Sul. A música “Milonga” alude a um ritmo gaudério muito famoso por ser de uma tristeza profunda, como um tango argentino. A gente gosta de lançar essas “internas” que só a galera de lá vai entender, mas sem perder o diálogo com os fãs do resto do país. Nossa música fala sobre tudo para todos, de uma forma que todo mundo que tem um coração batendo no peito pode se identificar.

Deixe um recado pra galera que curte a Fresno e vai ao show!
É isso aí, meu povo! Cheguem cedo, curtam as bandas de abertura e já vão decorando o “Redenção”! Até sexta!!

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